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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Se escrevo?

Escrevo,
Mas nem
Tão bem.
Escrevo,
Mas mal escrevo.
Escrevo
Mal
Por ser livre.
E por ser livre,
Mal escrevo.
Quase escrevo
E acho que escrevo.
Mas acho
Que devia escrever.
Por isso escrevo,
Mas não escrevo
O Novo
E sim algo
Já visto.
O consagrado
Ingerido e
Regurgitado,
Nada diferente.
Sinto-me sem
Mente e
Amedronto-me.
Mas busco conforto
Nas palavras,
Estas mesmas que
Escrevo.
E reescrevo
O já escrito,
Pois sei que
Se escrevesse
Não seria reescrito.
O novo foi
Substituído
Pelo sem graça.
Não há nada
Pra escrever.
O que devo
Escrever?
A novidade
Já perdeu
Sua cor.
Ganhou aquele
Tom de sépia
E deixou o
Famoso cheiro
De mofo.
Vivemos com algo
Já forjado,
Algo imposto
Ao alienado.
Pobre de cultura,
Busca nacionalismo.
Não encontra,
Chora,
Desola-se
E levanta.
Mas levanta
Consciente,
Levanta contente.
Vai gauche fazer
Poesia.
Vai gauche,
Vai escrever.
Esquece Pasárgada,
Deixa o ideal.
Parte pro real
E não deixa a
Carne, fraca,
Recobrir a verdade.
Com mente,
Que sem semente,
Só mente.
Engana,
Mas é por acaso.
Não sabe ao menos
O que acontece.
Que faz sabe?
Saberia se soubesse,
Ou nem poderia.
Caberia?
Nada de ciclos
Ou secos.
Apenas desejos
Talvez de fazer
O que sabe que
Pode fazer.
Capaz?
Não sabe.
É gauche,
Não sabe e
Aquela pedra,
Que continua,
Faz tropeçar.
Em pessoas
Não dá mais
Pra esconder-me.
Animaliza-se
Instintivamente.
A pupila dilatada
Define.
Mas sabe?
A doença que
Mata Baleia
Já não é hodierno.
Idealizo,
Como criança
Inocente.
Sonho com um futuro,
Mas diferente.
Talvez com moderno,
Escrever algo eterno.
Deixar na memória e
Sem escória.
Sem medo
Apenas escrever.
Morrer escrevendo,
Não morrer de repente.
Morrer depois de escrito,
Mas sem receio.
Poder escrever.
Descrever devaneio,
Tornar o fugidio
Corriqueiro.
Permitir ao tato
Alegria.
Para desfazer arrelia,

Escrevo.

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