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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Tebas

E então,
Na cidade de Tebas
Não há confusão?
Mas conte-me
Mais sobre tal
Euforia.
Aquela gente
Tão junta
Não ria?
A multidão
Reunida não
Tem razão.
E o alvoroço
Ensaio?
Gritam:
É Laio, é Laio.
Estirado no chão
Nosso gordo babão.
E comentam
Ao léu:
Quem mandou
Cuspir no céu.
Desrespeitou
O Oráculo
E propiciou
Tal espetáculo.
E vais perguntar
De mim?
Não sou nobre
Assim.
Apenas fui acolhido
Por Corinto
E agora
Viajo faminto.
Desrespeito?
Talvez.
Mas morreu sem
Sensatez.
De manhã
Quatro,
Meio dia
Dois
E à tarde
Três?
É o homem.
E você
Se desfez.
Ó, Tebas,
Recebe teu rei.
Uma esposa
Terei?
Eu e Jocasta
Governando
Esta terra vasta.
Mas e a peste?
Não me teste!
A punição
De meu incesto*
Roubou-me
A visão.
Jocasta, minha
Amada mãe,
Já não
Vive mais.
Quatro filhos
E um reino
Deixamos

Para trás.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Tuberculoso corrupto

Não mata o índio,
Não corta a planta,
Não suja o ar
Que respira.
Fala o Hipócrita,
Fala o Hipócrita.
Não destrói o
Patrimônio nacional,
Não corta o pulmão e
O pulmão não
Suja com gás,
Fala, Hipócrita!
Fala, Hipócrita!
Protege a
Cultura do povo,
Refloresta a floresta,
Não deixa respirar
Essa poluição!
Grita o Hipócrita,
Grita o Hipócrita!
Olha no espelho,
Hipócrita!
Cadê os índios?
Cadê as árvores?
Encobertos pela
Fumaça-
Fumaça do progresso!
Cala a boca, hipócrita!
Cala a boca!

Sons da noite

Dorme seu
Sono sonolento.
Fragor!
O suor molha
A cama, ou
É outra coisa.
Volta seus pensamentos
Para a angústia.
Tremula e
Analisa:
É o gato!
Tranquiliza-se,
Mas vem
Questionamento:
Que gato?
Não há gato!
Agoniza sob
Cobertores molhados.
O escuro incerto
Não presta suporte.
A morte,
A morte!
O barulho inquietante
Inquieta o homem
Que na sonolência
Da preguiça
Chora a cabeça
Confusa e sombria.
A ofegância do ar
Acompanha o
Coração,
Que se alinha
Àquele relógio
(tic-tac, tum-tum).
A orquestra noturna
Entra em sintonia
Com o estrondo.
Do porão?
De fora?
Tem medo de
Chegar na luz
E permanece estático.
Nem os movimentos
Consegue.
Analisa como
Chegar e
Cria a situação
Na mente,
Mas e a
Participação corporal?
Apenas suor.
O golpe do corpo
Lançado ao ar
Rompe o
Estado inerte.
A respiração acelera
E corre,
De encontro à luz.
Ilumina
O quarto.
O ar gélido
Aquece o coração
Do homem,
Que chora o
Que vê.
A luz, inútil,
Simplesmente
Não serve.
Apaga e acende
Freneticamente,
Na tentativa de
Mudar a perspectiva.
A luz apenas toca
As coisas comuns
Do quarto.
O fragor, antes
Intrigante,
Banaliza-se,
Silencia-se.
E o silêncio acaba
Por golpear o
Homem que não
Sabe dormir e
Que chora o nada.
E do nada
Torna a sofrer.

A pedra

A pedra,
Bem ali.
Estagnada e
Intacta.
Vai perfeita
Ser pedra
Com imperfeição.
Vai fazer
Parte do chão,
Vai fazer
Parte do céu.
Vai ser poeira.
Atiça o
Nariz da menina.
Que espirra aflita,
De bochechas
Rosadas.
Os vários
Olhares
Voltam-se
Aos seus.
Mas a
Aula continua.
Saúde!
Grita aquele
Garoto que
Não para de
Olhar.

domingo, 11 de agosto de 2013

Cadeira

No toque
Da cadeira
Se encerra
Pensamento
Concreto.
Trêmulo, o
Corpo tremula
Em direção
Alguma.
O olhar
Encara o
Mesmo fim.
Não vê,
Embora abertos.
E acaba em
Certeza
Do nada
Concreto.

Vejo

Vejo.
Vejo homem,
Vejo cachorro.
Cachorro late.
Não vejo
Reação do homem.
O homem nem
É importante.
Qual a importância
Do homem?
Do homem
Que mata?
Do homem
Que rouba?
O homem?
Não vale
Nada.
O homem passa,
O cachorro
Late e o
Homem não
Faz nada.
O homem,
Inútil,
Inutiliza a
Função de
Homem.
Desomenaliza.
Morre o homem.
Vive o
Cachorro e
O cachorro
Late
Pro homem.
E o homem,
Como passante,
Passa.
Ouve latido?
Apenas passa.
Não questione
O homem,
Não questione
O cachorro - 
Que late.
Não,
Não personifica
O homem.
Deixa o
Homem latir,
Digo,
Cachorro.
Digo,
Homem.
Diz, Cachorro.
Pode latir.
Não pro
Homem.
Não merece
Latido.

Sala

E o telefone
Tocou!
Seus pensamentos
Convergiram
Para uma linha
Onde o toque
Não era
Comum.
Tocou novamente!
Estático,
permaneceu
Apenas observando
O aparelho.
O barulho
Ecoava pela
Sala vazia
E a mente
Tentava
Desmentir a
Solidão.
Um quarto toque
Foi evitado.
Havia apenas
O toque
Entre
Aparelho e Orelha.
Ouviu a
Clemência da
Necessidade de
Costurar amizade.
Futebol?
Agarrou-se
À suas chuteiras
E preparou-se
Para sair.
Mas a fivela
Desta ligação
Já estava
Frouxa.
Em meio
À sala
Suas calças
Caem e
A vergonha
Das bochechas
Rosadas é visível.
A solidão torna
A rir daquele
Solitário rapaz.