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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Amantes

Na consequência
Dos corpos expostos,
Da vergonha
Recoberta pela
Mentira recorrente.
No ato de amar,
Tornou o
Vil pensamento.
Por clemência,
Tentou debalde
Esquecer.
Mas a mente,
Num suspiro,
Relembra a
Fatídica noite.
No ato da
Ignorância,
Busca justificar
O ato
Injustificável.
O humor
Inabalável
Embebeda-se em
Lágrima,
Mas o olho
Torna a afagar
A boca,
Que beija
E mente.
E no ato
De mentir,
Afaga o olho
Apaixonado.
Torna sepulcral
O sentimento
Outrora ideal.

Ao toque

Aspirou aquele
Áspero gosto
De angústia
Do som
De uma voz
Melodiosa.
Soube, porém,
Que seus
Olhos veriam
A luz.
Na qual o
Sossego da
Cabeça
Descansaria.
Na eternidade
Do sorriso
Da boca,
Na imortalidade
Das poucas
Palavras ditas.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sistema

Coc...
Co...
Coc...
Co...
Rrrrrup!
Rrup?
To,
To,
To,
To:
Prefeito
Imperfeito!
Corr...
Corru!
Corre!
Cor:
Disfarce.
Velho impasse.
Rru
Rru
Rua!
Não há
Tão burra.
Burraco!
Buraco...
E imposto?

Decomposto!

sábado, 20 de julho de 2013

Casualidade

Na manhã
Desta
Segunda-feira,
Um homem
Acorda e
Arruma-se
Para ir
Trabalhar.
Bebe seu
Café preferido
E parte
Para mais
Uma jornada.
Na rua,
Avista dois
Rapazes
Suspeitos
Vindo em sua
Direção
E que acompanham
Compassadamente
Os passos
Das jovens
Donzelas
Que andam
Na mesma
Direção.
O homem,
Tendo
Seus sentidos
Abalados
Pelo medo
Do perigo
Iminente,
Acaba por
Esbarrar nas
Moças.
Seus copos
De café
Caem.
Algumas
Desculpas tímidas
São ditas
E nada mais.
Uma senhora,
Já de idade,
Acompanha
Toda a trama
Que envolve
Três rapazes e
Duas moças.
A senhora
Lia seu jornal
Enquanto
Esperava por
Seu café.
Mas o
Garçom
Daquele dia
Era recém
Chegado.
Esquecera de
Anotar
O pedido
Da dama
Que esperava
Tranquilamente
Enquanto
Lia seu jornal
E assistia
Aquela cena
Conturbada.
Nada foi dito,
Nada foi
Feito.
O garçom
Engoliu seu
Orgulho e
Resolveu atender
Novamente.
Um café
Meio amargo.
O funcionário
Anota e
Dirige-se para
A cozinha,
Onde o dono
Está.
E a distância
Entre rapaz
E moças
Já era
De uns
Quatro passos.
O dono
Recebe a
Folha e começa.
Mistura alguns
Ingredientes
E chama
O jovem
Funcionário.
O pedido está
Pronto.
Via-se a
Alegria no
Olhar ao saborear
Aquele café –
Seu preferido.
Já se somavam
Doze passos
E os dois
Suspeitos
Mantinham a
Distância de
Sete.
O homem
Chegou ao trabalho,
Mais atrasado
Do que
O normal.
A senhora
Deliciou-se
Em seu café
E retornou
Para sua
Vida
Monótona.
Mas um crime
Abalou
A cidade.
O jornal
Que a mesma
Senhora lia
Na manhã
Do dia
Seguinte
Trazia a notícia
De um cruel
Assassinato.
Enquanto o rapaz
Passava
Apressado do
Outro lado
Da rua –
Mais cedo.
Duas mulheres
Foram esquartejadas
E as folhas
Traziam as fotos
Das jovens.
A senhora
Pegou sua
Xícara,
Levantou-a –
Já com alguma
Dificuldade –
E bebeu um
Gole de seu
Café.
Mais amargo
Do que
O normal.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aos leitores

Queridos leitores, um estilo meu de escrever é o de utilizar palavras propostas por amigos e conhecidos. Se algum de vocês quiser que eu escreva alguma coisa com palavras sugeridas por quem dirijo este post, é só mandar sua sugestão. Comente neste post mesmo 4 palavras de sua preferência. Surpreendam-me!

Esperança

Oh, Deus!
Põe fim à
Este sofrimento.
Destes olhos
Que em vidro
Se encerram.
Oh, Morte!
Castiga com
A foice
Este peito
Que desiste
De lutar.
Destrói os
Pensamentos
Do menino
Fátuo,
Que está
Farto -
Exausto -
E que
Se senta.
Espera
Vossa presença.
Espera
A iminência
Do fim
Iminente.
E que tem
Olhos voltados
Para chuva.
Mas na escuridão
Apenas terminam.
No horror
Da vida
Que deixara
De sentir.
Capta somente
O fétido ardor
Do receio.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Pensamento defeso

Uma arma
E uma ideia.
Tinha mãos
Trêmulas e
Pensamentos
Frouxos.
Ainda o
Suor escancara
Nervosismo.
Fechou os
Olhos e
Engoliu aquela
Saliva amarga
Da dúvida.
E diversos
Pensamentos
Mais passaram.
Vieram
Questionamentos e
Desculpas
Chulas.
Encarou
Carinhosamente
O ser adiante e,
Antes do
Fragor
Do instrumento,
Xingou
Algumas
Palavras bonitas.
Viu a bela
Face,
Mas não
Havia retorno.
Já caíra
Mais um
Cadáver -
Caíra em
Lugar qualquer,
Nem afeto
Do nome,
Nem afeto
Nenhum.
Apenas a
Lágrima
Rápida do
Olho fixo.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Trabalho de casa

Ontem,
Ao final da tarde,
Fui testemunha
De algo
Até então
Inédito –
Pelo menos
Para minha
Humilde existência.
Uma negra
Substância
Recobriu os céus
E expulsou o sol
De cena.
E rogou uma
Praga sobre mim.
Entoou tais
Palavras:
“Cairás nos braços
De Morfeu
E permanecerás
Em estado de
Inconsciência
Por horas,
Mas levantarás
Para presenciar
As aulas pela
Manhã”.
Desesperado,
Tentei fugir,
Mas acabei
Tropeçando e
Caí em minha
Cama.
O dito foi feito.
Permaneci em
Sono por horas
E acordei pela
Manhã,
Para que pudesse
Assistir às aulas.
E agora estou
Aqui, diante
Do senhor,
Explicando a
Real desculpa
Por não
Ter entregado

A tarefa de casa.

Vultosidade

Abrir e fechar
Os olhos,
Mas não num
Simples piscar.
Abrir para
Ler o que está
Escrito no papel,
Fechar para
Imaginar
E abrir
Para tornar
O sonho real.
Fechar a
Boca corrupta
Com o abrir
De outras mil,
Abrir as portas
Pro Gigante Brasil.

sábado, 13 de julho de 2013

O carro

O personagem
Em questão
Não é um herói,
Muito menos
Um vilão.
Não se trata
De alguém
Importante.
Nem ao menos
Tem nome.
Não fora
Batizado e
Os pais são
Desconhecidos.
Este, nem
Teve uma vida
Espetacular,
Nem fez algo de
Diferente.
Se criou algo,
Continua em seu
Cérebro pequenino.
Na certeza,
Apenas que viveu.
Teve seus bons
E maus momentos –
Clichê!
Mas pra quê um texto
De um Zé ninguém?
Teve algo interessante.
Porém, apenas isso.
Um momento feliz
Foi a marca da tristeza.
Trabalhou a vida
Inteira e,
Finalmente,
Comprou um carro –
Bobeirinha.
Pôs-se alegre,
Chorava enquanto
Assinava contrato,
Parecia importante.
Foi correndo avisar
Da compra
Sucedida, enquanto
Corriam as lágrimas –
Desesperadas.
A emoção foi
Tamanha que
Caiu na
Própria graça.
E enquanto
Agonizava em
Lágrima e sangue,
Assistiam perplexos,
Não havia ação.
Caíram mais
Lágrimas,
Mas já não
Eram mais

De euforia.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Atento

Criança.
Carro.
Homem.
Pista.
Carro.
Pista.
Homem.
Criança.
Gritos.
Grito.
Desespero.
Criança.
Homem.
Semáforo.
Faixa.
Grita.
Corre.
Corro.
Correm.
Cai.
Chão.
Pista.
Sangue.
Morre.
Quem?
Apenas sento-me
E saboreio
Meu café
Enquanto
Encaro,
Fixamente,
Aquele belo

Epitáfio.

Alguns Pés

Descalços,
Escassos,
Nus e
Agitados.
Andam,
Correm.
Provocam
Tumulto e
Aspiram apenas
Nacionalismo.
Gritam,
Chamam quem
Assiste.
Assistem
O povo,
Que dormia,
Levantar.
Aqueles pés
Vêem
A esperança
Brotando
Dos corações,
Da voz de
Cada pé
Que acompanha.
Compassado,
Na ordem
E buscando
Progresso.
Na língua
Um verde e amarelo
E na garganta –
Entalada –
Permanece
E incomoda,

A corrupção.

Acaso

Sozinho
Permanece
Oprimido por
Rotina.
Deita e
Reflete.
Pensar em que?
Existência?
Ridículo!
Chora,
Mas não
Sabe.
Desiste?
Nunca!
Vive na
Angústia
Da tentativa.
Na solidão do
Pensamento.
No obscuro
Devaneio
Noturno.
Mas lembra
Que haverá
Sol pela manhã.
Aquele estado
De sombras
Cairá
E poderá
Viver a mentira
Tranquilamente.
Na rotina do ser.
Fecha os olhos
Mais uma vez
E...
Epifania!
Compra café,
Mas não
Jornal.
Prefere
Deliciar-se com
As letras
Daquela minha
Bela e sepulcral

Lápide.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Algum sentimento

É o algo
Que queima.
Queima
Com ácido -
Sulfúrico.
Tão lá como
Eu aqui,
Com meu fogo
Queimo.
Não o amor,
O sucesso.
A vitória
Iminente
Desabrocha-se,
Cria esperança.
Ambienta-me
Ao favorável e
Num gesto -
Tresloucado -
Agoniza-me.
Lentamente para,
Torna a
Ressequir-se e,
Num piscar
De olhos,
Putrefaz-se e,
No fim,
A morte brota.

Corações Vorazes

E sobre a distância
Não se sabe.
Sente -
Saudade.
Mas sabe que,
Eternamente,
Aquele coração
Baterá por Ela.
E por Ela
Arderá o fogo.
Permanecerá e
Queimará
A distância.
A angústia da
Saudade
Se curvará
Diante daquela
Chama eterna.

Passos Escassos

Mirava o mesmo.
Com olhos fixos,
Seus músculos
Não se movimentavam.
Do seu peito
Escorre aquele
Líquido rubro.
E olha,
Sem brolho,
O nada -
Na verdade,
Parede.
O cheiro de mofo
Da infiltração
Não o incomoda
Mais.
Permanece
Intacto -
Ou quase.
Seus olhos,
Sem lágrimas,
Gélidos
Encaram.
Enquanto anda
Calmamente em
Passos escassos.

Crepúsculo

Raios de sol
Refratados por
Aquelas gotículas
D'água preguiçosas
Da manhã.
O céu,
Ainda manhoso,
Colorido e tímido
Destaca o celeste.
Os pássaros,
Sem direção,
Voam -
Ao horizonte -
E cantam,
E encantam
E acordam
A pequena menina,
De olhos vivos
E bochechas
Rosadas.
À distância
Podia ouvir
Ao léu
O nome que,
Ao ouvido,
Cheirava aliteração.
E, como perfume,
Atiça:
Larissa.

Manifesto

Político e Corrupção.
Caminham.
Andam por estradas
Brasileiras –
Esburacadas.
Atravessam os
Rios –
Poluídos.
Respiram o mesmo
Ar –
Dióxido de Carbono.
Oxigênio?
Jamais!
E aquelas crianças?
Sujas, não comem.
Acho que não
Conhecem escola.
A arma atira,
Mas de onde vem?
Assistem tudo
Dos telões.
É festa,
Esquece.
Finge que
Funciona.
Não funciona!
Quem o atingido?
Anônimo, esquece.
Político, aquece.
Ambulância, que
Demora,
Corre.
E chega,
Debalde.
A população,
Do Brasil,
Sufocara-o e
Já está
Morto.
E causa choro?
Não merece
Comoção.
E ouve:
Já foi tarde.
Ouve dos
Mesmos que
Gritam por

Igualdade.

Rotineiro

Acorda bem cedo,
Mas acorda
Com preguiça.
Toma banho e
Põe a boina.
Na cabeça
Lentamente.
E chove.
A chuva
Levanta bem cedo,
Com ele,
Que toma banho.
A planta é
Molhada pela chuva,
Enquanto ele
Toma café.
E toma café da manhã
De manhã.
Vai pro colégio
E a chuva cai.
Molha planta,
Molha o carro,
Molha pista,
Mas não o molha,
Não ainda.
Sai do carro
E molha o sapato.
Engraxado?
Não mais.
A chuva o molha.
E ele é molhado
Pela chuva.
Molha sapato,
Molha bolsa,
Molha farda,
Molha menino,
Molha boina.
Tira a boina.
Molha cabelo.
A chuva não molha
Mais a boina,
Mas molha menino.
E resolve cessar.
E cessa lentamente.
Vai embora
Com preguiça
E é a vez do sol:

Ilumina planta.

O quadro

Acredita que a
Beleza poética é
Sempre irrefutável.
O belo escrito
Não passa de
Mais um.
Bebo meu Nescau,
Pinto um quadro.
Mediano!
O marcador azul
Acabou.
E agora céu?
Chamo Lucas,
Mas é cego e
Gauche. E Gauche
Vai cego.
Não consegue ver,
Mas sente e
Chora
A unha

Encravada.

Negalhos de um Passado inaudito

                 Bom acordar com o fulgor do sol, pena permanecer apenas na memória. Sem palmeiras, sem sabiá. O verde foi substituído pelo cinza e o azul celeste tornou-se preto.
                Minha vaga memória aponta tempos magníficos, quando tudo exalava doces cores, pássaros acordando a humanidade com belas melodias. Agora nem ao menos sabem o que é uma árvore e o único mar é o de edificações.
                O som da natureza foi substituído pelo barulho da tecnologia. Zumbidos, cacarejos, uivos ou rígidos apenas reproduzidos por aparelhos eletrônicos. Nada espetacular!
                No início, tudo parecia maravilhoso, mas acabamos presos pelas grades da monotonia. Nossa vida foi padronizada, parecemos apenas sardinhas enlatadas. Sem doenças, sem surpresas, sem novidades, enfim, sem graça.

                Em meio a tanto fragor, gosto de fechar os olhos, relembrar o Passado e buscar júbilo. Meus sonhos são repletos de momentos marcantes do Passado e aproveito este resto de vida dormindo, e assim posso aproximar-me do que agora não passa de simples lembrança.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Mariana

Jovens pétalas
Desabrocham.
Feixes luminosos
Incidem
E clareiam
A água -
Cristalina -
Que,
Timidamente, rega
Aquelas tímidas
Flores.
Floresce uma
Mar de cores.
Pássaros,
Com vigor,
Cantam.
Enchem seus
Pulmões daquele
Vento majestoso.
Canto e odor,
Antes
Imperceptíveis,
Colorem o
Céu em crepúsculo.
E eis que lhe vem
Apenas um nome.
E sussurra
Docemente:
Mariana.

Se escrevo?

Escrevo,
Mas nem
Tão bem.
Escrevo,
Mas mal escrevo.
Escrevo
Mal
Por ser livre.
E por ser livre,
Mal escrevo.
Quase escrevo
E acho que escrevo.
Mas acho
Que devia escrever.
Por isso escrevo,
Mas não escrevo
O Novo
E sim algo
Já visto.
O consagrado
Ingerido e
Regurgitado,
Nada diferente.
Sinto-me sem
Mente e
Amedronto-me.
Mas busco conforto
Nas palavras,
Estas mesmas que
Escrevo.
E reescrevo
O já escrito,
Pois sei que
Se escrevesse
Não seria reescrito.
O novo foi
Substituído
Pelo sem graça.
Não há nada
Pra escrever.
O que devo
Escrever?
A novidade
Já perdeu
Sua cor.
Ganhou aquele
Tom de sépia
E deixou o
Famoso cheiro
De mofo.
Vivemos com algo
Já forjado,
Algo imposto
Ao alienado.
Pobre de cultura,
Busca nacionalismo.
Não encontra,
Chora,
Desola-se
E levanta.
Mas levanta
Consciente,
Levanta contente.
Vai gauche fazer
Poesia.
Vai gauche,
Vai escrever.
Esquece Pasárgada,
Deixa o ideal.
Parte pro real
E não deixa a
Carne, fraca,
Recobrir a verdade.
Com mente,
Que sem semente,
Só mente.
Engana,
Mas é por acaso.
Não sabe ao menos
O que acontece.
Que faz sabe?
Saberia se soubesse,
Ou nem poderia.
Caberia?
Nada de ciclos
Ou secos.
Apenas desejos
Talvez de fazer
O que sabe que
Pode fazer.
Capaz?
Não sabe.
É gauche,
Não sabe e
Aquela pedra,
Que continua,
Faz tropeçar.
Em pessoas
Não dá mais
Pra esconder-me.
Animaliza-se
Instintivamente.
A pupila dilatada
Define.
Mas sabe?
A doença que
Mata Baleia
Já não é hodierno.
Idealizo,
Como criança
Inocente.
Sonho com um futuro,
Mas diferente.
Talvez com moderno,
Escrever algo eterno.
Deixar na memória e
Sem escória.
Sem medo
Apenas escrever.
Morrer escrevendo,
Não morrer de repente.
Morrer depois de escrito,
Mas sem receio.
Poder escrever.
Descrever devaneio,
Tornar o fugidio
Corriqueiro.
Permitir ao tato
Alegria.
Para desfazer arrelia,

Escrevo.

Homem na Rua

Nasci num país tropical, conhecido por suas praias, mas não sou flamengo e muito menos tenho uma nega chamada Tereza.
Meu nome é Gustavo. E trabalho? Bem, sou morador de rua, um dos vários mendigos desse país. Mas, arrisco dizer que sou o mais bonito. Meu longo cabelo castanho e frisado é inigualável. Tenho olhos castanho-escuros e a barba nem tão mal feita.
Esbanjo, ainda, boa forma física. Com caminhadas diárias pela movimentada São Paulo. Já tentei ser catador, mas não deu certo. Não é minha praia.
Muitos me perguntam se passo fome. Óbvio que não, visto que semana passada comi metade de um pão que encontrei no chão. Delicioso! Os outros morreram de inveja, ou fome, nem sei ao certo.
À noite, deito no meu aconchegante papelão e reflito sobre a vida, mas estou sempre atento. Tenho que estar alerta quando os jovens ricos passam, pois eles sim dão medo na minha gente.

Ontem ouvi mencionarem um lugar onde pode-se comer, tomar banho e divertir-se ao mesmo tempo. Dei risadas até não aguentar. Esse povo fala cada coisa. Gente maluca.

domingo, 7 de julho de 2013

Sentado no aconchego

Olhos vidrados,
Sobrepostos por óculos.
Aquela armação enferruja,
Acompanha o ponteiro,
Que anda,
Lentamente, quase
Não se move.
Desintegra-se
Sobre este
Rosto enrugado,
Maltratado pelo tempo.
Barba e cabelos brancos.
E um chapéu.
Meio antiquado,
Mas agradava-lhe.
Seu palito, velho e
Não diferente dele.
Trazia ainda a
Mancha de graxa.
Trabalhara, trabalhara!
A troco de quê?
Companhia?
Não tem nem isso
Para sua sepultura.
Ainda ali,
Olha, mas
Sem objetivo.
Ainda sentado em
Sua poltrona,
Fétida e velha.
Não perdera!
Continuarão ali.
Putrefará?
Aqueles vermes
Não perderão tempo!

Vila dos Tavos

Tavos,
No vilarejo de
Trinta e poucos,
Era produto
Importante.
Significava
Status e
A quantidade
Não era questão.
Mas houve
Revolta,
Decorrente de
Crise.
O povo dos Tavos
Agitou-se.
Criou-se um
Estado de guerra
E as relações
Intra sociais
Eram animalescas.
Não se ouviam
Mais palavras,
Apenas ruídos
De angústia e
Medo.
Partiram para
Vias de fato e,
Entre
Paus e pedras,
Entre vilões
Já somavam-se
Vinte
Sem Tavos.

sábado, 6 de julho de 2013

Geração Primavera

Olhos ninados e
Cerrados,
Abrem-se.
Levanta com
Vigor.
E, como
Primavera,
Floresce.
O opressor
Amedronta-se,
Pois o poder
Pertence ao Povo.
Não aguenta
Mais o cárcere.
Não aceitará
A sinistra,
E esta não
Recairá sobre
Aqueles
Jovens cabelos.
Não lhe golpeará
Mais a face em
Verde e Amarelo.

Insigne sucesso!

O insucesso
Sucedido de
Triste Suspiro,
Sublima
Súbitos pensamentos
Disseminados.
Discernindo
Substância e Ser.
E, sem saber,
Solevanta
Lúgubres
Fantasias
Mórbidas.
Mas num fluxo
Deságua,
Negras substâncias
Numa só
Superfície.
Putrefaz-se a carne,
Esquecida por quem
Outrora amou.
Não!
O fulgor
Da Estrela-Áurea
Nem ao menos
Incute fim à
Tanta dor!

homem sem Vontade

Acorda de manhã,
Com preguiça.
Porém, não diferente.
Toma café,
Olha a rua -
Ao léu!
Raios luminosos
Não doem.
Acordara
E sabe.
Arruma-se,
Pois tem que
Trabalhar.
Trabalha
E tem dor
De cabeça,
Nada de novo.
A rotina,
Indiferente,
Permanece e,
Ao final,
Não aguenta.
Desiste e morre.
Não encontrou!
Morre sem
Encontrar o que
Procurou na vida.
Morre sem
homem!

Sepulcro

Formosa flor
Esfalece em meio
Àquelas lágrimas
Derramadas
No ato de
Trocá-la.
Foi, mas
Permanece.
E enaltece,
E torna a
Esquecer.
E lembra,
E chora -
Feito criança.
Este rio deságua
No mesmo mar
Que banha
Aquelas flores -
Que não
Diferentes dele -
Foram esquecidas.
E que agora
Aguardam apenas
Pela putrefação
Completa.
Na dualidade
Da carne e
Da pétala.
Na esperança
Da morte.

A guerra

Homem, homem.
Barata, impura.
Homem pisa,
Mata barata.
Nojenta!
Causa raiva
Ao homem,
Que pisa,
Raivosamente!
E a barata
Morre.
Tem escolha?
Apenas morre.
O homem,
Raivoso,
Pega vassoura.
Empilha baratas,
Baratas mortas.
Toxicomaníaco,
O homem mata.
Mata baratas.
Impuras!
E morrem,
Humilhadas.
Mata assaz baratas?
Não era preciso
Tal Genocídio!

Na rua

Compassado,
Desordenado,
Sintonizado,
Ou apenas ado.
Corre, anda,
Pula.
E pula pra quê?
Corre pra saber.
E sabe,
E anda -
Calmamente.
Passa, passo.
Passos?
Sussurra.
Grita!
Mas não posso
Nem ouvir.
Berra, espera!
E corre.
E corro.
E grita.
- O carro!
Não corre,
Não corro,
Apenas caio
E morro.
E vejo
Aqueles passos
Voltados pra mim.

A Carta

Amigo,
Pensei em
Escrever-lhe.
Exaltar nossa
grande amizade.
Queria poder
Fazê-lo.
Algo não permite,
Sabes bem.
Ridiculamente
Perdi tempo.
Mas não aspiro
Sua fétida
Comoção.
Tua falsidade
Foi, devidamente,
Recíproca.
Não se preocupe em
Checar o correio,
A caneta já
Fora delicadamente
Acomodada
No estojo.

Seca

Cai chuva perene,
Deságua neste
Mar de desesperança.
Molha a terra,
Banha a plantação,
Cessa a cede do gado.
Não maltrata mais,
Sabe,
Não merece!
Traz vida.
Pinta de verde
Este cenário decrépito.
Mas mal me conhece.
Acreditas tu em
Bondade?
Enquanto utopicamente
Sonhas,
Ambicioso fujo de
Mais anotação.

Aaah, o amor!

Arranha,
Bate e
Empurra.
Chuta e
Faz sofrer.
Ignora,
De forma
Ignorante!
Abre os braços
E deixa-me cair.
Cair no desolo,
Sem acolher-me.
Abre-me os
Olhos
Pra ver
Sofrimento.
E, sem
Cabimento,
Me humilha.
Ri e zomba.
Faz piada,
Mas ao final
Não esquece
De dizer.
Te amo.

O homem

O homem é homem.
O homem é bicho.
O homem não é homem.
Mas se não fosse, quem seria?
O homem? Quem é o homem?
O homem é?
O homem é.
O homem não é.
Mas se não é, o que seria?
O que é o homem?
Sei ou não sei?
O homem que não é homem:
É homem, é bicho, é e não é.
O homem
É apenas o homem.