Nasci num país tropical, conhecido por suas praias, mas não sou
flamengo e muito menos tenho uma nega chamada Tereza.
Meu nome é Gustavo. E trabalho? Bem, sou morador de rua, um dos vários
mendigos desse país. Mas, arrisco dizer que sou o mais bonito. Meu longo cabelo
castanho e frisado é inigualável. Tenho olhos castanho-escuros e a barba nem
tão mal feita.
Esbanjo, ainda, boa forma física. Com caminhadas diárias pela
movimentada São Paulo. Já tentei ser catador, mas não deu certo. Não é minha
praia.
Muitos me perguntam se passo fome. Óbvio que não, visto que semana
passada comi metade de um pão que encontrei no chão. Delicioso! Os outros
morreram de inveja, ou fome, nem sei ao certo.
À noite, deito no meu aconchegante papelão e reflito sobre a vida, mas
estou sempre atento. Tenho que estar alerta quando os jovens ricos passam, pois
eles sim dão medo na minha gente.
Ontem ouvi mencionarem um lugar onde pode-se comer, tomar banho e divertir-se
ao mesmo tempo. Dei risadas até não aguentar. Esse povo fala cada coisa. Gente
maluca.
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